Comentando "A Economia é Base da Porcaria"

Por se basear em uma aquisição volumétrica, quaisquer das técnicas tomográficas computadorizadas (incluindo a tomografia por feixe cônico) devem seguir critérios rígidos para a interpretação e elaboração de relatórios (laudos) pelo profissional.

Primeiramente, é importante ter o conhecimento de principio de formação de imagem de uma técnica volumétrica como é a tomografia computadorizada por feixe cônico (TCFC) e depois seus critérios de interpretação. Este conhecimento é fundamental para usufruto dos benefícios relativos ao diagnóstico, planejamento e evolução do tratamento.

Baseado na premissa que todo o volume é adquirido, é mandatório que todos os cortes contidos neste sejam analisados, independentemente de quantidade e parâmetros de obtenção (espessura de corte, espaçamento entre os cortes, tamanho do voxel). A abordagem necessária e linguagem utilizada para os laudos são inerentes à técnica tomográfica, o que diferencia a TCFC das radiografias convencionais (panorâmica, periapicais, tomografias lineares, etc.) exigindo do profissional treinamento específico para tal. Logo, não devemos confundir uma radiografia panorâmica ou telerradiografia com imagens coronais panorâmicas e sagitais provenientes de uma TCFC.

A importância do advento da TCFC e sua repercussão na Radiologia Odontológica necessita ser ressaltada, porém não podemos confundi-la com tomografias que produzem imagens bidimensionais onde se analisam cortes. Necessitam ser enfocados os critérios de interpretação, bem como a abordagem e linguagem correta para um laudo descritivo bem executado de um volume adquirido. Dr. Omar destacou com muita pertinência a seguinte sentença:

"Imagine um médico laudar apenas um lobo do cérebro para baratear o custo de uma tomografia!"

Alguns exemplos: Obtemos uma TC para maxila com objetivo de analisarmos a área edêntula dos dentes 25 e 26. No seio maxilar do lado contra-lateral existe uma lesão. Opções:

a) Somente observar o lado esquerdo e “esquecemos” o outro lado. Só que para isto o custo do exame será um valor.

b) Devemos cobrar mais, pois estamos avaliando o outro lado da maxila! Isto irá requerer mais uma interpretação!

c) Analisarmos primeiramente a razão do exame e por conseguinte as estruturas dentro do volume adquirido, com objetivo de detectarmos ou não uma patologia. Em caso afirmativo, avaliamos esta lesão tridimensionalmente, de acordo com os critérios de interpretação pertinentes.

E aí me perguntam. E comercialmente?

E eu respondo, vamos fazer o correto, ou o errado mais fácil ?!

Façam suas reflexões.

Prezados colegas, devemos buscar qualidade em nossas imagens, em nossos profissionais que estão analisando exames por meio de tomografias computadorizadas, de acordo com seus princípios e critérios e conseqüentemente estabelecermos padrões de honorários e custos que suportem o verdadeiro e singular laudo tomográfico. Não devemos nos limitar por meio de singelos “antolhos” a analisarmos cortes de uma estrutura tridimensional que, por meio de um aparelho com o custo em torno de U$ 210,000.00 nos presenteia com uma imagem volumétrica e não plana !

Ou será que quem faz isto, desconhece todos estes princípios, critérios e porque não dizer, laudar em TC? Basta medir o corte e enviar o CD! A TC é muito mais que isto, basta aprender e fazer bem feito.

Nós somos radiologistas ou cortadores e medidores de imagens?!

 

Lamento informar aos exclusivos usuários de TC, porém desconhecedores da técnica, que isto não se trata de uma tomografia computadorizada.

A oportunidade desta tecnologia está ao nosso alcance, só nos resta fazer a lição de casa com coerência, responsabilidade e competência.

Obrigado pela atenção.

Marcelo Cavalcanti
Professor Associado da Disciplina de Radiologia do Departamento de Estomatologia da FOUSP.
Coordenador do Laboratório de Imagem em 3D da FOUSP.


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