"A economia é base da porcaria"
 

A Odontologia, decididamente, está vivendo dias alarmantes. Enquanto toda a economia cresce, enquanto empresas de todos os segmentos se desenvolvem, investem, se capitalizam, enquanto a indústria automobilística, em alguns casos, demora 90 dias para atender um pedido, o que se assiste na Odontologia é a triste e preocupante realidade, na qual a contínua degradação dos ganhos conduz à redução da qualidade  de materiais e serviços, criando um perverso e, por que não dizer, mortal círculo vicioso.

 

Sem reajustar seus honorários há anos, muitos foram obrigados a reduzir os valores praticados para fazer frente à concorrência insensata, burra, gananciosa, que precifica seus produtos sem qualquer fundamento, e que está levando toda uma classe de profissionais à bancarrota, inclusive já inviabilizando comercialmente algumas atividades da odontologia como a radiologia odontológica.

 

Mas queremos particularizar um aspecto dessa busca pela  insana redução de preços a qualquer custo e de qualquer forma, especialmente por alguns que se julgam mais espertos, pois acham que podem transformar a área de saúde numa indústria de produção em massa e, desta forma, simplesmente dizimar a concorrência.

 

Após 30 anos, finalmente a Tomografia Computadorizada Cone Beam pôde tornar-se comercialmente viável. Para tanto, foi necessário aguardar o desenvolvimento de computadores pessoais que tivessem grande capacidade de processamento e memória, de modo que pudessem calcular os complexos algoritmos que possibilitam a formação das imagens tomográficas. Com alto contraste de tecidos duros, baixíssimos níveis de radiação, a TC Cone Beam caiu como uma luva para aplicações odontológicas.

 

Um exame rápido, preciso, extremamente barato, oferece um excelente custo-benefício ao cliente e informações insuperáveis ao profissional que poderá realizar um ato com extrema segurança e confiabilidade.

 

Com uma incidência de poucos segundos se consegue adquirir imagens da mandíbula ou maxila de altíssima qualidade, como nunca se viu.

 

Mas eis que surgem os abutres. Os espertos. Os mais inteligentes.

 

Ainda que R$ 300,00 reais, que é o custo médio de uma arcada, não inviabilizem nenhum tratamento odontológico, 'eles' querem mais. Eles querem tudo.

 

Então inventaram o corte, ou a região.

 

E é exatamente sobre mais esta excrescência que gostaríamos de tecer alguns comentários.

 

Inicialmente isto é uma afronta à tecnologia, aos anos de desenvolvimento e pesquisa, cujo resultado total obtido é, literalmente, jogado na lata do lixo, pois ainda que só seja possível a aquisição de uma arcada inteira, desejam comercializar apenas uma região por num valor menor e, desta forma, "quebrar" a concorrência.

 

E o pior é que estamos falando de valores absolutamente irrelevantes, algo próximo de cinqüenta reais.

 

Quanta mediocridade! Imagine um médico laudar apenas um lobo do cérebro para baratear o custo de uma tomografia!

 

Na Medicina, inimaginável, porém, na Odontologia realidade.

 

Ocorre que, ao desprezar o restante de uma imagem, que foi adquirida em sua totalidade, o radiologista pode deixar de laudar uma patologia grave. Não obstante ao acima exposto, agora encontramo-nos diante de uma situação que envolve a consciência e, sobretudo, a ética: se o profissional lauda, não estará recebendo nada por isso, economizando para o cliente alguns tostões e se desmerecendo enquanto profissional, jogando anos de estudo e centenas de milhares de reais em investimento na lata do lixo; se não lauda, está incorrendo em grave infração ética e atentando contra sua própria consciência profissional e pessoal (se é que as possuem).

 

Que absurdo é esse? Quando vamos começar a valorizar o trabalho exercido na Radiologia e na Odontologia? Quando vamos começar a enfrentar essas empresas que estão conseguindo acabar com a seriedade desta e de outras especialidades?

 

A ACRO acredita que não haverá uma solução milagrosa para este problema; não haverá um plano econômico relâmpago que reverterá essa situação lastimosa da odontologia; não cairá o "maná" dos céus; não surgirá um super-herói que nos propiciará dias melhores e condições rentáveis de mercado.

 

A solução está no seu envolvimento e na sua efetiva participação na associação, no desprezo e até em ações mais incisivas contra os "espertos" que, em alguns casos, nem dentistas são, mas estão aí, levando de roldão, impunemente, a Odontologia para a marginalidade de importância como Ciência e, consecutivamente, como Valor no mercado.

 

Neste caso em particular, é preciso informar claramente ao colega Dentista que a aquisição só pode ser feita na totalidade da arcada e que, ao subtrair informações relevantes a ele Dentista, bem como ao Paciente, os autores desta prática estão prejudicando toda uma comunidade.

 

A ACRO se propõe a lutar, mas você precisa participar ativamente. É seu interesse. É nosso interesse. Lembre-se que ninguém vai trabalhar por você, defender seus interesses, aumentar seus rendimentos. Lembre-se que, quanto mais caótica a situação, quanto mais falta de regras, quanto menos controle, melhor para os mal-intencionados, para os pobres de espírito e especialmente para os sem qualificação técnica e científica que infestam o mercado.

Juntos, poderemos reverter esse caos. Sozinhos, fica tudo como está.
Chega de mediocridade!
MUDA, ODONTOLOGIA!
Junte-se a nós.

ACRO Brasil - Associação das Clínicas de Radiologia Odontológica do Brasil

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